sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O envelhecimento acima da média da população brasileira


Por Assis Ribeiro
Do Valor
Por Alessandra Saraiva e Diogo Martins | Do Rio
O ritmo de envelhecimento da população brasileira está acima da média mundial. É o que mostra a Síntese de Indicadores Sociais, análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as condições de vida da população brasileira 2012, divulgada ontem.
A conclusão tem como base o índice de envelhecimento do país, calculado por meio da relação entre o número de pessoas de 60 anos ou mais de idade para cada cem pessoas de menos de 15 anos de idade. Segundo o instituto, o índice no Brasil foi de 51,8 em 2011, em comparação com resultado de 48,2 para o indicador de envelhecimento mundial, referente ao mesmo ano. Isso, na prática, significa que havia, no país, no ano passado, aproximadamente uma pessoa de 60 anos ou mais de idade para cada duas pessoas de menos de 15 anos de idade.
Em números absolutos, o crescimento no número de idosos no país foi considerado "marcante" pelo IBGE: passou de 15,5 milhões de pessoas, em 2001, para 23,5 milhões em 2011. A fatia de pessoas nessa faixa etária, dentro da população brasileira, passou de 9% para 12,1% no período.
O estudo também mostra que os idosos têm uma situação de renda melhor do que os jovens. De acordo com o levantamento, 53,6% das pessoas com menos de 25 anos estão concentrados nas duas menores faixas de renda per capita familiar pesquisada pelo instituto (menos de um quarto do salário mínimo; e de um quarto a metade de um salário mínimo), ou seja, na base da pirâmide.
Apenas 17,9% dos idosos de 60 anos ou mais de idade se encaixam nas duas faixas de renda, de acordo com a pesquisa - fruto de políticas sociais e previdenciárias que garantem benefícios mínimos de um salário mínimo para idosos carentes do país, de acordo com o estudo do IBGE.
Em 2011, o grupo com até 24 anos na população brasileira era de 78,5 milhões de pessoas, em torno de 40,2% do total. Essa faixa etária está perdendo peso na população brasileira. Em 2001, pessoas nessa faixa de idade correspondiam a quase metade dos brasileiros (48,2%).
Segundo o IBGE, o envelhecimento da população é influenciado pelo recuo das taxas de fecundidade. Pelo Censo Demográfico 2010, a taxa era de 1,90 filho por mulher, a menor da última década. Outro fator a ser considerado, de acordo com o instituto, é o recuo no contingente de pessoas em faixas de idade mais jovem. De 2001 a 2011, diminuiu de 45,9 para 36 o número de pessoas até 14 anos de idade para cada 100 pessoas de 15 a 59 anos, segundo o levantamento.
O estudo mostra ainda que a proporção de mulheres sem filhos difere de acordo com a escolaridade. Entre mulheres com até sete anos de estudo de 15 a 19 anos, 18,3% tinham filhos, sendo que do total de mulheres com oito anos ou mais de estudo, na mesma faixa etária, apenas cerca de 7% tinham filhos.
Ainda de acordo com o documento divulgado ontem pelo IBGE, a renda média do trabalho principal de pessoas com 16 anos ou mais de idade subiu 16,5% entre 2001 e 2011. As categorias que tiveram os maiores ganhos reais no período, respectivamente de 22,3% e de 21,2%, foram mulheres e trabalhadores informais. Segundo o instituto, no caso das mulheres, o maior avanço de renda foi apurado na região Nordeste. Entre os trabalhadores informais, a região Centro-Oeste foi a maior responsável pelo avanço na renda.
O instituto captou ainda disparidades na renda de acordo com a cor dos trabalhadores. O rendimento médio das pessoas ocupadas pretas ou pardas com mais de 16 anos de idade equivale a 60% da renda média do trabalho da população branca, na mesma faixa etária.

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